A HORA DA XEPA
Xepa é um termo popular usado para nomear o fim de uma feira de frutas, verduras e legumes. No fim do dia, tudo o que tem prazo de validade e não foi vendido, é deixado na rua para ser recolhido por pedintes, moradores de rua e famílias necessitadas. É o que está acontecendo na relação entre o governo e os partidos políticos no apagar das luzes do atual governo em ano eleitoral. É o fim de feira dos cargos comissionados depois que o Centrão recebeu a chave do cofre.
No desesperado afã de manter a maioria no Congresso Nacional e barrar qualquer iniciativa que desemboque em uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desta vez para investigar o escândalo do MEC , milhares de cargos em ministérios e autarquias estão sendo oferecidos aos partidos em troca do voto. Bilhões em emendas parlamentares também entraram no escambo. E tudo publicamente.
Este tipo de prática não é uma novidade criada pelo governo Bolsonaro. É mais ou menos o que Fernando Henrique Cardoso fez para aprovar a reeleição de cargos executivos com uma Emenda Constitucional de 1997, permitindo sua recondução ao cargo. Mais recentemente, o expediente foi usado durante o governo de Dilma Rousseff para tentar impedir seu impeachment em 2014. Enquanto isso, a verdadeira xepa é a única esperança de alimentação para milhares de famílias brasileiras a cada final de feira.


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